Desejo

O desejo é uma presença ausente. Algo que nos empurra sem que saibamos exatamente para onde — e talvez seja isso o que importa. Na psicanálise, aprendemos que o desejo não se confunde com a vontade consciente; ele se inscreve no corpo, nos sonhos, nos lapsos, nas escolhas que fazemos sem saber que as fizemos. Lacan dizia que o desejo é o que não cessa de não se escrever — e ao mesmo tempo, é o que insiste em se fazer presente naquilo que nos falta.

É na falta, justamente, que o desejo encontra sua força. Não como vazio a ser preenchido, mas como motor que nos move em direção ao outro, ao mundo, ao que ainda não foi vivido. Quantas vezes nos pegamos desejando aquilo que mal conhecemos? Ou desejando o que já se foi, como se o desejo fosse também uma forma de memória? Aqui, cada texto é um gesto nessa direção: tentar dizer o que, por definição, escapa às palavras, mas que insiste em pedir passagem.

Escrevo porque o desejo me atravessa. Cada crônica nasce de uma inquietação — um encontro, uma perda, uma pergunta sem resposta. O que você vai encontrar nas páginas a seguir são tentativas de dar contorno a esse fio invisível que nos liga ao que falta, ao que se perdeu, ao que ainda pode ser. Se você chegou até aqui, talvez também esteja à procura de algo. Talvez seja isso que nos une: a certeza de que algo nos escapa e a teimosia de continuar buscando.

A tag "desejo" reúne as crônicas que tocam mais diretamente esse tema. Algumas falam de amor, outras de ausência; algumas são leves, outras pesam. Mas todas, de algum modo, tentam honrar a complexidade do desejo — sem reduzi-lo a uma fórmula. Porque o desejo não se explica, se sente. E talvez seja por isso que escrevemos: para dar forma ao que sentimos sem conseguir nomear.

Os textos abaixo compartilham essa inquietação. Cada um foi escrito em um momento diferente, mas todos são habitados pela mesma pergunta: o que fazer com esse desejo que nos desassossega? São tentativas de dizer o indizível, de habitar o vazio sem medo. Espero que encontre, em cada um deles, um eco do seu próprio desejo — e que, ao ler, sinta que não está sozinho nessa busca.

Cada um dos textos abaixo aborda, de uma perspectiva singular, a experiência do desejo na linguagem, no corpo, no encontro com o outro. São escritos que não pretendem explicar, mas habitar — porque o desejo, como a vida, não se explica, se vive.