Psicologia

A psicologia sempre foi, para mim, um território de perguntas. Mais do que respostas, interessa-me o movimento de se colocar em questão. Nesta categoria, reúno crônicas e reflexões que nasceram desse movimento — ora inspiradas pela escuta clínica, ora pelo simples ato de observar o cotidiano. Os textos dialogam com a psicanálise (especialmente a lacaniana), a fenomenologia e o existencialismo, mas não se limitam a eles. Eles são, antes de tudo, uma tentativa de manter viva a conversa sobre o que nos afeta.

Sempre me perguntaram por que escolhi a psicologia. A resposta honesta é que ela me escolheu — ou melhor, foi a forma que encontrei de habitar as perguntas que a vida insiste em fazer. Freud disse que o trabalho do analista é tornar consciente o inconsciente. Lacan, que o inconsciente é o discurso do Outro. Mas eu gosto de pensar que é, sobretudo, uma arte: a arte de escutar o que não está sendo dito. E é essa escuta que tento praticar aqui, nestes textos.

Cada post é um pequeno recorte de uma conversa maior. Eles não foram escritos de uma só vez: surgiram de sessões, de leituras, de silêncios incômodos, de sonhos compartilhados. Talvez por isso carreguem uma atmosfera tão particular — a de quem está em análise e, ao mesmo tempo, conduzindo uma.

Aqui, você não encontrará manuais ou verdades prontas. Encontrará, sim, um convite a pensar junto. Sobre o desejo, que nos move sem pedir licença. Sobre a falta, que estrutura nosso andar. Sobre o luto, que nos atravessa e nos transforma. E sobre a presença — essa coisa tão rara e tão simples.

A psicanálise me ensinou que não há saber sem sujeito. Que a verdade não está toda lá, nem toda aqui, mas se produz na relação. É por isso que escrevo. Escrevo para colocar em palavras o que a clínica me ensina todos os dias: que somos todos frágeis, todos singulares, todos repetindo um drama antigo que insiste em não se encerrar. Ao reunir esses escritos na categoria psicologia, espero que você encontre não respostas prontas, mas ecos das suas próprias perguntas. Boa leitura.

Textos relacionados:

  • A falta que fazem as palavras Sobre o silêncio que habita o que não conseguimos dizer, e como a psicanálise nos convida a falar.
  • Ne pas céder sur son désir Uma reflexão sobre a ética do desejo a partir de Lacan e o que significa não abrir mão de si mesmo.
  • O cansaço de ser vendável O esgotamento de existir sob o olhar do outro e a busca por uma vida que valha a pena ser vivida.
  • Presença O que significa estar inteiro em um mundo fragmentado? Um ensaio sobre a presença e o agora.
  • Redemoinho calmo A calmaria inquieta dos dias e o movimento silencioso das águas profundas.
  • Talvez uma prece Entre a dúvida e a fé, uma prece em forma de crônica para o que nos falta.
  • Te devolvo pra ti O movimento de se reencontrar após uma despedida. Um texto sobre luto e recomeço.
  • Falta A ausência que insiste em ser presença. Uma breve reflexão sobre o vazio que nos constitui.
  • Aquele Dia Um retorno ao passado que nunca nos deixa. Memória, tempo e psicologia.
  • Nas pausas Encontros e desencontros nos intervalos entre uma palavra e outra.